Pneus
O propósito dos pneus
O que é que os pneus fazem por nós?
1) Suportam a nossa mota
2) Os nossos pneus transmitem as forças de tracção e travagem à estrada, permitindo-nos arrancar, acelerar ou abrandar e travar, exactamente quando precisamos.(Conseguem imaginar o que seria travar ou acelerar com pneus feitos de metal ou plástico?)
3) Os pneus absorvem parte das irregularidades da estrada, trabalhando em conjunto com a suspensão para nos proporcionar uma viagem mais suave. (Mesmo com uma suspensão excelente, seria bastante doloroso andar com as antigas rodas de carroça!).
4) E claro, mantêm e alteram a direcção com os comandos que lhes transmitimos através do guiador e do nosso corpo.
Isto tudo parece bastante simples, mas mesmo assim há um enorme trabalho no design e desenvolvimento tecnológico dos pneus que fica por baixo de toda esta aparente simplicidade. Este artigo não tem como objectivo explicar tudo o que há a saber sobre pneus, mas sim de explicar os pontos mais básicos sobre este componente tão importante sem entrar em física, história, etc.
Sintetizando o que se segue, ao longo dos anos os fabricantes de pneus têm continuado a melhorar a performance dos seus produtos em relação aos propósitos que já referi, de forma a chegar a um produto melhor, mais seguro (e com mais vendas). As boas notícias é que todos beneficiamos com isso.
Porque é que os pneus têm aqueles desenhos?

Os rasgos na banda de rolamento dos pneus previnem ou minimizam a perda de tracção em chuva (hidroplanagem) sendo canais para a água escapar debaixo do pneu.
O resultado da hidroplanagem é os pneus parecerem “flutuar” sobre a estrada. E quando se perde tracção, travagem ou controlo da direcção, aparece-nos pela frente uma cena pouco amigável digna de um filme de acção. As boas notícias é que normalmente (e a velocidades reduzidas) é relativamente simples recuperar o controlo: reduzir um pouco a aceleração sem travar nem virar.
OK, se a hidroplanagem marca o ponto para filmes bem maus, porque não fazer o rasto dos pneus o mais largo e mais fundo possível? O extremo disso seria fazer pneus cardados, que funcionam muito bem em lama, areia, terra e gravilha, mas eles têm uma superfície de contacto bem mais pequena, o que resulta em muito menos tracção na estrada, gastando-se muito depressa. Para além disso esse formato fá-los bastante mais ruidosos e menos confortáveis comparados com os pneus normalmente usados em estrada. Contente por não ser um fabricante de pneus?
Generalizando um pouco, os fabricantes estão dedicados no processo de optimizar a relação dos cortes dos pneus para melhorar a segurança com padrões que permitam uma condução mais silenciosa e suave. Quando compramos os nossos pneus estamos a pagar aos engenheiros desses fabricantes para que tomem essas decisões e continuem a melhorar essa relação.
Falando de cortes, os slicks não têm – são lisinhos! Eles não só não funcionam (nada) bem em chuva, como nem funcionam em estrada com uma condução “normal”. Os slicks são pneus para velocidades muito altas e constantes. Sem isso, não aquecem o suficiente para atingir o seu ponto de óptimo de aderência. Por isso o seu uso na estrada é ilegal.
Tipos de pneus para motas
Isto é um tópico um bocado mais à frente do que o objectivo deste artigo, mas já que falámos sobre pneus cardados (off road) e pneus de corrida (slicks), vamos falar também em mais alguns.
Pneus de estrada é o que tinha inicialmente pensado falar neste texto. São pneus para alcatrão, que oferecem uma boa performance, uma durabilidade razoável e um bom comportamento em chuva.
Pneus de alta-performance são para condutores (agressivos) de motas desportivas que querem mais performance que durabilidade. São pneus que oferecem uma melhor aderência em curvas a velocidades mais elevadas à custa de um tempo de vida dos pneus mais curto. Tanto os pneus de estrada como os desportivos têm um nível de aderência bom quando frios, mas quando sobreaquecem podem mesmo perder capacidade de tracção à medida que a sua temperatura aumenta. Com as motas desportivas de série a terem velocidades acima dos 250Km/h é uma boa razão para ter atenção ao índice de velocidade quando se escolhe um pneu, um código que indica a velocidade máxima que o pneu pode aguentar durante dez minutos seguidos sem correr perigo. Noutras palavras, andar a 250Km/h com um pneu com um limite de 210 (H) é outra forma de ser uma estrela num filme de acção com um final pouco feliz.
Pneus de Touring geralmente não são desenhados para curvar a altas velocidades, mas sim para longas rectas. Óptimos para tiradas em autoestrada, e com uma durabilidade geralmente bastante boa.
Pneus dual purpose são uma mistura específica para motas que andam tanto em estrada como na terra. Tipicamente este casamento entre pneus cardados e de estrada não resulta em excelência para nenhuma das duas funções, mas são melhores que andar com cardados em estrada, ou do que andar com pneus de estrada em terra. Mas isso também é a perspectivas das próprias motas dual-purpose – um divertido e prático compromisso entre duas realidades bem diferentes.
E o que é isso dos ‘chicken strips’?
É discutível se este ponto é digno de nota. Chicken strips são os bocados de piso não usado nas extremidades laterais dos pneus. Essa largura indica o ângulo de inclinação da condução da mota. Se o pneu não apresenta desgaste perto dos limites laterais, significa que o seu dono não conduz tão agressivamente (ou não inclina a mota até ao limite), como outros que desgastam o pneu até ao fim. Há muitos que gozam com as pessoas que têm estas listas (de não desgaste) nos pneus, dizendo que se trata de alguém com medo de inclinar a mota até ao limite dela. Na realidade, quem faz esse tipo de comentários também não será muito experiente (ou maturo), já que não sabe ou reconhece que condutores experientes não devem andar nos limites da mota fora dos recintos específicos para isso, ou se calhar nem tem a percepção de que pode se tratar de um condutor com muita experiência que simplesmente já não leva a sua mota ao limite.
Seja como for, a solução para esses comentários tristes é agarrar na mota e ir dar um giro.
Avisadores de desgaste
Quando é que devemos mudar os pneus? O melhor será substituí-los antes de estarem 90% gastos. (Há quem os mude bem mais cedo). A maior parte dos problemas com pneus surge a 10% do fim do piso, por isso o melhor será não usar isso.
Estando atentos aos indicadores de desgaste permite-nos saber que estamos a entrar na zona de perigo. À medida que o piso se vai desgastando, esses indicadores vão ficando visíveis, e quando ficam à face do pneu, dizem-nos que está na altura de lhes dar descanso.
Pressão dos Pneus
A rotina mais frequente de manutenção que a nossa mota necessita (para além de lhe ir enchendo o depósito) é verificar a pressão dos pneus.
Os pneus devem estar com a pressão indicada pelo fabricante da mota. O indicador de pressão no pneu indica a pressão máxima que o pneu aguenta (muito diferente da recomendada).
Se a pressão for demasiado elevada, o piso em contacto com a estrada é reduzido, o que diminui a resistência ao rolamento, Contudo, o conforto também é reduzido porque os pneus não irão absorver tão bem as irregularidades da estrada.
Se a pressão for demasiado baixa, o piso em contacto com a estrada é maior, mas também aumenta a flexibilidade e fricção do pneu. Isso poderá levar a um sobreaquecimento do pneu, aumento do desgaste do seu piso, e piorar o consumo da mota, para além de também potenciar cenas para maus filmes e mais cabelos brancos, já que é uma das formas mais comuns de rebentar pneus.
A solução para isto é verificar os seus pneus regularmente (todos os dias quando se vai numa viagem) e mantê-los com a pressão acertada.











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